Estava no risco iminente de mim. Naquela parte sombria que te arrasta
para os pesadelos. Para seres o monstro dos teus medos. Só tu te podes colocar
limites. Não é o mundo que os define. Tu és autor das tuas criações; perceções
do que és ou não capaz. Rejeita as vertigens das impossibilidades e
transforma-as em pedaços de luta.
Mata esse pavor de falhar; de ser constantemente um erro. Não existe
perfeição: só seres capazes de dar o teu melhor a ser autêntico.
Se errares? Se falhares?
O suor caia no chão. Sentia a
primavera derreter-me aos poucos. Os pés percorriam velozmente aquela estrada
com fome de atingir para além do marco. O corpo começava a demostrar fadiga. Os
músculos exigiam que parasse. Todo o eu estava em sofrimento – não iria parar.
É a dor que nos torna capazes de ultrapassar os obstáculos. É esse sangre que
nos escorre pelos olhos que nos faz ver.
Se errares? Se falhares?
Somos melhores ao sermos inundados
pela vida.
Tinha essas palavras presas no meu
consciente - precisava de me libertar dessas ideações: do que me empurrava para
trás. Os pés quase já não aguentavam todo o peso do corpo: o peso dos
assombros.
Desiste. Para! Não és capaz. Nunca foste: não serás. Tudo é indicador
dessa derrota. Para quê humilhares-te? Isso é teimosia: burrice diria.
A irritação irrigava-me as veias.
Estava a perder a sanidade pelo cansaço de me inferiorizar. Eu própria era a
minha destruição. Como seria eu capaz de me minimizar?
Sentir dentro de cada respiração que
não tinha qualquer significância: importância. Que era metade de um pedaço de
nada.
Todos os sentimentos se ampliaram e
algo me impulsionou. Avançava mais ferozmente. Já não sentia a dor: só a mim.
Corria com a força que me era desconhecida.
-Tu não me podes magoar outra vez.
O corpo bailava com a fita da meta.
Tinha conseguido: tinha-me superado.
O pé tinha calcado o marco do limite.

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