domingo, 10 de janeiro de 2016

Marco do Limite

Estava no risco iminente de mim. Naquela parte sombria que te arrasta para os pesadelos. Para seres o monstro dos teus medos. Só tu te podes colocar limites. Não é o mundo que os define. Tu és autor das tuas criações; perceções do que és ou não capaz. Rejeita as vertigens das impossibilidades e transforma-as em pedaços de luta.

Mata esse pavor de falhar; de ser constantemente um erro. Não existe perfeição: só seres capazes de dar o teu melhor a ser autêntico.

Se errares? Se falhares?

O suor caia no chão. Sentia a primavera derreter-me aos poucos. Os pés percorriam velozmente aquela estrada com fome de atingir para além do marco. O corpo começava a demostrar fadiga. Os músculos exigiam que parasse. Todo o eu estava em sofrimento – não iria parar. É a dor que nos torna capazes de ultrapassar os obstáculos. É esse sangre que nos escorre pelos olhos que nos faz ver.

Se errares? Se falhares?

Somos melhores ao sermos inundados pela vida.

Tinha essas palavras presas no meu consciente - precisava de me libertar dessas ideações: do que me empurrava para trás. Os pés quase já não aguentavam todo o peso do corpo: o peso dos assombros.

Desiste. Para! Não és capaz. Nunca foste: não serás. Tudo é indicador dessa derrota. Para quê humilhares-te? Isso é teimosia: burrice diria.

A irritação irrigava-me as veias. Estava a perder a sanidade pelo cansaço de me inferiorizar. Eu própria era a minha destruição. Como seria eu capaz de me minimizar?

Sentir dentro de cada respiração que não tinha qualquer significância: importância. Que era metade de um pedaço de nada.

Todos os sentimentos se ampliaram e algo me impulsionou. Avançava mais ferozmente. Já não sentia a dor: só a mim. Corria com a força que me era desconhecida.

-Tu não me podes magoar outra vez.

O corpo bailava com a fita da meta.

Tinha conseguido: tinha-me superado.


O pé tinha calcado o marco do limite. 

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