Passamos as horas à procura do
minuto perfeito.
Estávamos viciados na adrenalina:
no impulso de procurar o conto de fadas. Tinha a minha mão quase ao alcance da
tua. Mas como saber se era o correto? Se eras tu que faria o meu coração
desesperar de amor?
Estava perto: perto de ti. Longe
da certeza causada pelos medos que cercam as vivências. Que aprisionam
vontades: que rompem a esperança.
Mas tu vieste.
Mais que isso: tu ficaste.
Lutaste contra os demónios de uma
mente abraçada ao passado.
Tu libertaste-me do que já fui
para me poder ser, de novo.
Para poder viver-me na plenitude
de mim - uma congruência de um sorriso contagiante.
Estava a caminhar – passo a passo
– para a realização de mim.
Olhava-te como quem admira o
oceano: porque estava encantada com as profundezas que ativavas em mim.
Pensei que as histórias fossem
apenas desejos de um sonhador – não um sonho concretizável.
Agora escrevemos um futuro onde apenas se vive. E isso
basta: vivermo-nos em intensidade.
Estamos a nadar contra o que vier: sem cansaço a notar-se no
corpo. As forças ampliam-se quando se luta para um mesmo fim.
O nosso não fim.
Estávamos deitados na cama a
respirar as pulsões um do outro. Tínhamos os corpos entrelaçados em nós e os
lençóis a proteger o corpo do ar que não era nosso.
O silêncio circundava as nossas
palavras: uma pausa para a leitura das almas.
Os olhos fechados a verem cada
pedaço do teu corpo.
Encostei a cabeça ao teu pescoço: a tua respiração era a
minha canção de embalar.
No último suspiro percebi que tinha encontrado - em ti – o
tempo perfeito.