As minhas mãos
estão sujas com o nosso amor. Tenho nelas as manchas das memórias. A dor do
passado que se está a ficar. Que não está a ser transposto para o futuro.
Eu não quero –
dita o silêncio que se espelha de ti.
E uma pessoa
consegue decidir parte da vida da outra – sem lhe dar margem para lutar. Estás
presa à insignificância; à incoerência de dois mundos (antes) unidos e agora
totalmente separados.
Olhas em redor,
tudo o que era familiar transformou-se em estranheza. Tocas nas lágrimas que
consomem o teu rosto: já não sabes do que és feita. Tens o mundo a ser-te
retirado sem requerimento de autorização.
Agora tens de,
sozinha, saber lidar contigo mesma.
Vês-te a alma:
não reconheces.
Como se pode
entender quem deixaste de conhecer?
-Já não sou o
teu presente.

