domingo, 13 de dezembro de 2015

Lágrimas manchadas


As minhas mãos estão sujas com o nosso amor. Tenho nelas as manchas das memórias. A dor do passado que se está a ficar. Que não está a ser transposto para o futuro.

Eu não quero – dita o silêncio que se espelha de ti.

E uma pessoa consegue decidir parte da vida da outra – sem lhe dar margem para lutar. Estás presa à insignificância; à incoerência de dois mundos (antes) unidos e agora totalmente separados.  

Olhas em redor, tudo o que era familiar transformou-se em estranheza. Tocas nas lágrimas que consomem o teu rosto: já não sabes do que és feita. Tens o mundo a ser-te retirado sem requerimento de autorização.

Agora tens de, sozinha, saber lidar contigo mesma.

Vês-te a alma: não reconheces.

Como se pode entender quem deixaste de conhecer?


-Já não sou o teu presente.

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