Acordei para uma certa parte da loucura: a outra viverá sempre comigo.
Os olhos abriram ali: naquela terra incorporada de lama em que eu fazia parte dos seus constituintes.
Não estava correto: eu sou mais que isso. A chuva caía abruptamente sobre o corpo como se cortasse cada verdade que retaliava como fixa.
E cortou. Cortou todo um filamento: um passado que parecia refletir a perfeição – mentira.
Mentira grossa e fria.
Tão fria que congelou o cérebro deixando-me ali: evolvida pela inexistência.
Não foi o sol que me fez erguer. Não foi um arco-íris que apareceu sobre a ténue limpeza do horizonte: não.
Foi a pequena lucidez que me resta; a fraca luz que ainda me consegue guiar.
Desta força interior, que desconheço a sua origem, veio a razão; a certeza. Sei o que estou a fazer.
É o mais correto para mim.
Estou presa neste local. Não posso sair: mal posso respirar.
Não há janelas; não há luz.
Escuridão – é aquilo de que necessito para voltar a viver; para acordar e poder nascer de novo.

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