Tenho frio.
O corpo está a tremer: sinto-me a
descontrolar.
Tudo se está a evaporar: as
memórias; o que fui.
Há um alinha ténue que me prende ao
antigo eu. Consigo senti-la a romper a cada batida. A cada cair do corpo nas
rochas do medo.
Tu atiras-me para o precipício:
para a escuridão que me vive.
Queremos acreditar que só existe
luz. A verdade é que os sonhos interrompidos são o lembrete da incapacidade. As
falhas são a perceção de que ali não fomos capazes.
Nasce o outro eu: (possivelmente) o
mais verdadeiro.
O revelador de todos os nossos
segredos.
Todos os lados mais detestáveis.
O teu eu em ódio:
Em vingança.
E não é contra isso que lutamos
para não nos tornar?
Uma luta constante contra o outro
lado de nós.
A exclusão de metade;
A rejeição de parte de ti.
Sinto-me a ir:
A ficar.
Estou finalmente a congelar: a
desistir.
Vou ser-me por inteiro.
Vamos ver quem tem mais poder?
Que vença o eu mais meu.
Sem comentários:
Enviar um comentário